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Monday, March 28, 2005

04/IV - NOVAS AVENTURAS DE DOROTHY


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Imagem: Internet 






A estrada piorava a cada passo. Os campos também iam ficando cada vez mais feios e tristes, com o capim que crescia ao abandono de uma ponta a outra. Não se via casas e, raramente, se avistava uma árvore, de onde poderia ouvir o piado de um pássaro perdido.
Os três aventureiros caminharam o dia inteiro pela paisagem agreste até que, por sorte, encontram um córrego cortando a estrada.
Surpresa, Dorothy respira aliviada, ao beber água fresca, dizendo:
- Legal esse regato, não é mesmo?... Tio Henry sempre dizia que nada havia de melhor para uma pessoa do que o sabor e o som de água correndo.
- Parabéns – aplaude o Espantalho
Depois de uma pausa, ele ri e comenta:
- A água, apesar de não ter serventia para mim, é um bem muito precioso à vida.
- Ã-hã. Gosto de descansar na beira de um regato, distraída com a correnteza da água!
Dorothy, enquanto sacava um pedaço de pão da cesta, olha para o céu e agradece a dádiva da natureza. Dá uma fatia a Totó e, por educação, oferece outra ao Espantalho. Ele recusa, dizendo não ter fome, mas gostaria de saber alguma coisa sobre si e o Kansas.
A menina faz um sim com a cabeça. E passa um bom tempo explicando ao Espantalho como é o lugar em que mora com os tios, especialmente, como um ciclone a trouxe até a Terra de Oz.
Ele admirado:
- Se lá é tão feio assim, não entendo como quer deixar esse lugar tão lindo e voltar para um lugar tão seco e cinzento como o Kansas.
- Você não compreende porque não tem cérebro. Nós, pessoas de carne e osso, jamais trocamos a nossa terra por nenhuma outra, por mais bela que seja.
O Espantalho suspira:
- É claro. Se a cabeça dos humanos fosse de palha, como a minha, provavelmente viveriam somente em lugares bonitos. É uma sorte para o Kansas que vocês têm cérebro.
Dorothy sorri. E pede:
- Que tal me contar sua história?
O boneco se ajoelha, e colhe uma florzinha silvestre:
- Minha vida é tão curta e simples como a dessa florzinha. Nada de especial.
- Mesmo assim, quero saber.
- Então, eu conto. Bem, como fui criado anteontem, o que aconteceu antes no mundo é um mistério para mim.
- Conta só o depois.
- Nasci de verdade no momento em que um fazendeiro havia terminado de desenhar meus ouvidos e perguntou ao companheiro ao seu lado:
- Que tal as orelhas?
- Parecem meio tortas – respondeu.
- Isso não tem importância. O importante é que são orelhas – gargalhou o fazendeiro.
- Se é assim, tudo bem – concordou o amigo.
- Agora vou desenhar os olhos – disse eufórico.
- Quero ver.
O Espantalho leva as mãos aos olhos, explicando:
- Então ele pintou de azul meu olho direito. Nossa, foi muito legal! Enquanto olhava tudo em volta com uma curiosidade enorme, ouvi novamente a voz do fazendeiro:
- Gostou do olho, camarada?
- Bonito – aprecia o outro.
- Vou fazer o esquerdo um pouquinho maior, que tal?
Pausa. O Espantalho, depois de um longo suspiro:
- Ah!... Quando ficou pronto meu outro olho, pude ver muito melhor. Em seguida, o fazendeiro fez o nariz e a boca. O bom mesmo foi quando juntou minha cabeça ao corpo, já com os braços e as pernas. Fiquei todo orgulhoso, sentindo que era um homem igual a todos. Daí, o proprietário das terras foi logo se gabando:
- Bom trabalho, parece mesmo gente de verdade.
- Sim – apressou seu companheiro.
- Tenho certeza que levará terror aos corvos. É como se na testa dele estivesse escrito um bilhete aos pássaros: ... Se manda, xispa, vai embora para sempre.
Pausa. Depois de outro suspiro, mais longo ainda:
- No mesmo instante, o fazendeiro colocou-me debaixo do braço, chamou o amigo, e me levou para o milharal. Nada pior poderia ter acontecido!... Realmente, era uma vida muito solitária. Ali fiquei abandonado feito trouxa, preso naquela vara de bambu, para espantar pássaros dia e noite. Era o início de minha triste vida de espantalho, sem nada para pensar.
- Tinha muitos pássaros para espantar? – pergunta Dorothy.
- Sim, principalmente corvos. Assim que me viam, fugiam para longe, achando ser criatura de verdade.
- Que legal!
- Isso até me fez sentir mais importante. Mas, lá pelas tantas, um velho corvo pousa no meu ombro e, sem demonstrar o menor medo, examinou-me da cabeça aos pés, ironizando:
- Arre!... Se aquele fazendeirozinho pensa que vai me tapear de forma tão grosseira, não vai não. Você não passa de um espantalhozinho de nada, recheado de palha velha.
Pausa. Dorothy:
- Meu Deus, o corvo ofendeu-lhe desse jeito?
- Fiquei tão chateado que nem dei resposta. O pássaro então desceu e comeu todo o milho que quis. Outros, vendo o corvo naquela folga, aproveitaram para comer milho bem na minha frente, provando que eu não era um bom espantalho. Mas, o velho corvo, antes de sair voando, acabou me dando um consolo:
- Se você tivesse cérebro, seria um homem até melhor do que muitos que existem por aí!
- Ah, isso eu tenho certeza – afirma Dorothy, acariciando o ombro do espantalho.
- Passei o dia e a noite pensando nas palavras do corvo. Então, resolvi lutar por um cérebro. Por sorte você chegou, tirou-me da estaca e, pelo jeito, poderá me ajudar.
- Claro, vamos tentar juntos – entusiasma a menina, sorrindo.
- Bom ouvir isso. Deve ser muito triste ser um eterno um bobalhão sem nada na cabeça, não é mesmo?
- Acho que sim.
Nesse instante, a garota fica de pé, dá um passo adiante, e alerta:
- Bem, já estou pronta para voltar à estrada. Vamos indo?
- Claro, claro.
Dorothy entrega a cesta ao Espantalho, chama Totó e voltam os três a caminhar novamente. Como já era tarde e o sol esticava a sombra dos viajantes para lá do meio da estrada, logo a noite caiu. No escuro, Dorothy toma o braço do Espantalho para seguir com segurança em busca de um abrigo para passar a noite.
Andam um pouco mais e deparam com uma cabana abandonada.
- Oba, aqui será nosso abrigo para passar a noite!... – adianta a menina.
- Me parece ser um bom lugar, mas devemos continuar em estado de atenção, ‘né?
- Sem dúvida, amigo. Ai, estou exausta, vamos entrar.
A cabana era simples. Dorothy entra e encontra uma cama de folhas secas e, com Totó enroscado ao lado, em pouco tempo estava dormindo. O Espantalho encosta-se a um canto do cômodo e fica esperando, pacientemente, pelo outro dia.

 

 

* FBN© - 2013 – Novas Aventuras de Dorothy – Cap. 04 de O MÁGICO DE OZ – Adaptação livre do original por: Welington Almeida Pinto - Categoria: Prosa Infanto-Juvenil – Texto original em português - IIustr.:   – Link: http://omagicodeoz.blogspot.com.br/2005/03/novas-aventuras.html

                                                                            - 04 –

1 comment:

Aide Hernández said...

Eu amo este filme tem grandes efeitos especiais e fotografia é linda, o maravilhoso Mágico de Oz e de todos os atores fazem um grande trabalho